Poema saturnino




terça-feira, 6 de novembro de 2007

Quando subitamente partires para Saturno,
deixe-me algo.
Deixe-me o mais fino anel ou, talvez,
a esperança de vida em Europa ou Titã,
mesmo que minúscula, mas vida.

Quando alçares vôo no espaço infinito,
ouça o silencioso cântico da vida,
da luz que perpassa a sua viagem, sua trajetória
ou o hino dos hinos das constelações,
das estrelas que nascem, das que também morrem, mas geram.

Quando avistares Marte,
lembre-se que podemos nos nutrir de ilusões acerca da vida possível,
mas que também, muitas vezes, a ignorância,
no belo sentido da palavra, como dizia o mestre,
é o alicerce de sonhos infantis construídos em castelos de areia.

Quando passares pelo Cinturão,
você poderá pensar no vestígio de planeta,
na idéia de que algo que ainda não conhecemos o porquê
pode destruir, destroçar a flor que viceja.

Em Júpiter, perceba que a grandeza é fluida,
e que tudo que se fundamenta no domínio não tem sentido, não tem superfície.
Sempre se dissolverá pelo ar.

E chegando e pousando, experimente uma vez apenas,
ao longo de toda a jornada, olhar para trás
e tente avistar um pontinho azul que gravita bem longe,
mas estranhamente perto
e sinta algo que não sei o que, que não sei propor,
mas sinta e lembre de tudo que passou.
E crie, com primor de beleza, um enorme círculo.
Assim, um maravilhoso anel estará ao seu redor,
te lembrando de não esquecer da vida vivida em terras distantes,
mas com o cheiro de rosas que brotam somente em teu jardim secreto,
onde nenhum olho impuro pode perscrutar...

E tenha fé que um dia tudo será um.
Que o um será tudo.
Que acordaremos repentinamente, como foi a tua viagem,
e, espasmados, descobriremos que estávamos unidos por pequenas teias de aranha,
que não as víamos antes, porque não usávamos bem nossos olhos.
E assim saberemos que a distância foi uma invenção de muito mau gosto,
que a distância não existe para quem eleva seu pensamento para além das estrelas.




Poema dedicado a um grande amigo: Edson Saturnino F. Pereira, que não vejo a um bom tempo.

11 comentários:

karynemlira on: 6 de novembro de 2007 15:51 disse...

CA-ram-ba!!!

muito lindooooooo!!! Adorei cada palavra!!

aff!! Tô boba! DEsculpe! srsr

bjs da Ká!!

sucesso!

www.karynemlira.com

Hiroshi on: 6 de novembro de 2007 16:17 disse...

Bacana... Interessante.. Criativo... Acima de tudo...

Kemp on: 6 de novembro de 2007 16:25 disse...

Muito bonito mesmo!
Criatividade não te falta!

Abração forte!
Kemp

Julia on: 7 de novembro de 2007 03:08 disse...

Muito legal seu poema,tem a ver com um momento da minha vida tambem.Beijos.

César Fernández on: 7 de novembro de 2007 14:35 disse...

lindoo, lindo, lindo :D

Cris Penha on: 8 de novembro de 2007 04:14 disse...

Lindo demais!!!! sua sensibilidade é demais, ainda vou tatuar Saturno em mim.

MaxReinert on: 8 de novembro de 2007 14:38 disse...

Muito bom... a sensação de distância pode ser uma das mais cruéis....

mas as vezes cria coisas belas.. como esse poema!

Tavareli on: 9 de novembro de 2007 14:45 disse...

Achei bonito o texto.

www.diegotavareli.blogspot.com

Parker on: 10 de novembro de 2007 03:47 disse...

Rapaz

Quanta poesia aqui :)

Adorei, muito intenso tudo.. O poema 'Meu fim' ficou como meu favorito.

=*

http://lirismopolaroid.blogger.com.br

“Entre rascunhos & rabiscos: Confissões...” on: 10 de novembro de 2007 17:37 disse...

simplesmente poesia...

seus poemas são provocantes...

Grande abraço!

http://edivivapoesia.blogspot.com

Gloalmeida on: 5 de setembro de 2009 18:18 disse...

Muito lindo Jonhatan!!!

Especialmente hoje, que estou com muitas saudades de uma pessoa muito especial...

Esta última estrofe, então...

Deus o abençoe...

 

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