domingo, 4 de março de 2012

Vagando


Estou vagando pelo vale da dispersão,
entre visões fascinantes de corpos nus entorpecidos.
Eu te perdi.
Já não sei como chegar aos montes
escarpados de teu coração.
A visão atrai.
O desejo ilude.
A treva persiste
e insiste nos caminhos incertos que trilho.
Já não vejo a luz.

Queria gozar e esquecer,
mas não consigo.
A lembrança de tua face ensolarada
angustia meus pensamentos turvos.

Eu não tenho força
para reencontrar o nosso jardim secreto,
onde semeamos um no outro
juras de amor sem fim.

Venha a mim e salva-me!
Suje tuas vestes alvas no pó, na lama do meu vale estéril.
Sussurre meu nome.
Sim! Sussurre.
Eu ouvirei o teu chamado e direi arrependido,
entre lágrimas e sorriso:
"Eis-me aqui".

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Partida



Tudo é partida
Ninguém fica
Todos vão

Não adianta chorar
Não adianta gritar
O mundo está sempre a girar

Então, pegue seus trapos, ideologias
Comece a andar
Vá, meu bem, vá!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Do outro lado da rua


Não vá para longe!

Não precisa ir para China

Nem Islândia, Suazilância ou ao Taj Mahal.

O melhor é ficar, permanecer

Aí mesmo onde está.

Você pode até não saber, mas

Rostos estranhos,

Línguas estrahas,

Corpos estranhos,

Comida estranha

não é o que você busca.

Ouça o que digo!

Não queira, com força faraônica

Voar no azul infinito para

Chegar – quem sabe- até a lua.

Meu bem será tudo em vão.

Pois o amor de sua vida

Está bem aí

Do outro lado da rua.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Prelúdio


Um dia pisarei o solo sacro
e com imensurável devoção chorarei
nos encardidos muros de pedra.
Verei vielas,
gente de todas as cores,
e cheiros diversos.
Verei o sol banhar-te de esplendor
Jerusalém...
O amor há de reinar em teu coração.
A vida florescerá em tuas praças.
A profecia da justiça que abraça a paz
vai se realizar, Jerusalém...
Erga-te!
Eleve o teu olhar
e contemple:
Pelicanos azuis enfeitam o teu céu nublado.