
Estou vagando pelo vale da dispersão,
entre visões fascinantes de corpos nus entorpecidos.
Eu te perdi.
Já não sei como chegar aos montes
escarpados de teu coração.
A visão atrai.
O desejo ilude.
A treva persiste
e insiste nos caminhos incertos que trilho.
Já não vejo a luz.
Queria gozar e esquecer,
mas não consigo.
A lembrança de tua face ensolarada
angustia meus pensamentos turvos.
Eu não tenho força
para reencontrar o nosso jardim secreto,
onde semeamos um no outro
juras de amor sem fim.
Venha a mim e salva-me!
Suje tuas vestes alvas no pó, na lama do meu vale estéril.
Sussurre meu nome.
Sim! Sussurre.
Eu ouvirei o teu chamado e direi arrependido,
entre lágrimas e sorriso:
"Eis-me aqui".


