Vagando




domingo, 4 de março de 2012

Estou vagando pelo vale da dispersão,
entre visões fascinantes de corpos nus entorpecidos.
Eu te perdi.
Já não sei como chegar aos montes
escarpados de teu coração.
A visão atrai.
O desejo ilude.
A treva persiste
e insiste nos caminhos incertos que trilho.
Já não vejo a luz.

Queria gozar e esquecer,
mas não consigo.
A lembrança de tua face ensolarada
angustia meus pensamentos turvos.

Eu não tenho força
para reencontrar o nosso jardim secreto,
onde semeamos um no outro
juras de amor sem fim.

Venha a mim e salva-me!
Suje tuas vestes alvas no pó, na lama do meu vale estéril.
Sussurre meu nome.
Sim! Sussurre.
Eu ouvirei o teu chamado e direi arrependido,
entre lágrimas e sorriso:
"Eis-me aqui".

2 comentários:

Rosário on: 11 de março de 2012 05:57 disse...

Venho matar as saudades de comentar os poemas do meu amigo Narciso, cheia de ocupação, porém não tanto que não possa dar-me ao luxo de vislumbrar essa maravilha de poema. Ele grita por interpretação e eu não resisto ao seu chamado.
Quantos de nós não nos encontramos assim, vagando, dispersos a procura de algo, do outro, de nós mesmos, da luz em meios as trevas. Na entrega da fraqueza de nossa própria nulidade, criamos e vivenciamos a falta de coragem para enfrentarmos nossos medos, angústias, omissões, defeitos, a verdade, a inércia, nossa cômoda negligência... Clamamos por misericórdia salvífica em meio a sussurros orquestrados por amor e para o amor. Resta-nos render-se!


"Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir." Khalil Gibran

http://www.starnews2001.com.br/kahlil/gibran_love.html

martaluzgonçalves on: 7 de abril de 2012 20:54 disse...

a visão atrai o ouvir o falar
e assim nesta atração eu me vou em meio as trevas e luz procurando este Bem maior que ensina que alimenta. mesmo nas fraquezas eu quero eu anseio e neste vagar eu vou...ao seu encontro só me resta render ao teu olhar que tanto me atrai e num sussurro eu digo: Eis-me aqui pode fazer eu deixo...

 

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